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quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Sacrifício

Eu sacrifiquei as palavras, a poesia e até mesmo um pouco de felicidade com isso, simplesmente porque achava que não era vida e não me traziam histórias. Pude viver momentos fortes, mas abri mão de relatá-los, eu já não conseguia mais rimar e sacrifiquei uma obra por papeis avulsos. Apostei na experiência e não recebi a inteligência, apostei na ganância e não recebi a fortuna.

Eu sacrifiquei minha alma pelo meu corpo, um foco por um prazer carnal. Soube aproveitar, parecia mais as consequência de um pacto social, mas soube gozar. Eu precisei me vender, eu precisei me infiltrar, eu aprendi a ignorar. Sacrifiquei minha própria tribo, minha própria classe simplesmente porque queria ser livre, mas sem perceber apenas obedeci ordens de quem nem ao menos me afagou.

Eu vou aceitar a tristeza, eu vou aceitar o fracasso,vou aceitar a queda como uma foram de avaliar as perdas que eu sacrifiquei. Eu não pretendo amar, eu o usei em vão e o usaria outra vez. O amor foi apenas um peão que tive que entregar para conquistar o poder, e mesmo assim, eu não consegui me mover. Não me orgulho e vou me permitir ser derrotado, e não acho que seja uma vergonha. A derrota pode apenas ser mais um sacrifício, o meu próprio sacrifício. Não sei o que espero em troca, mas sei que preciso de entregar um sangue... e que ele esteja fresco.

quinta-feira, 20 de julho de 2017

Sobre amizades...

Sei das minhas limitações, dos meus defeitos e onde posso errar. Sei que grito muito, reclamo muito e faço merda demais. Sei que durante muito tempo na minha só conseguia enxergar uma versão extramente frustada de mim e que era incapaz de ter amigos. Minha adolescência foi resumida em ver grupinhos  combinando de ir ao shopping depois da aula, convites para a festinha no final de semana, segredinhos e bilhetinhos se espalhando ao meu redor sem que eu nunca estivesse incluído em nenhum planos.

Sempre tive que me virar sozinho, sempre aprendi a ser sozinho. Já culpei muito os outros pela exclusão, já me culpei muito por me achar insuportável e já perdi muito tempo procurando qualquer culpado por um tempo que não vai voltar. Talvez aquele ditado clichê que tudo um dia vai passar tenha se tornado verdade, talvez eu tenha mudado e procurado novos caminhos, não me importa...

Sei que hoje eu tenho pessoas que não possuem nenhuma obrigação de me aguentar, de conviver comigo, mas me procuram e se preocupam como estou. Tenho aqueles que podem me ligar para falar qualquer coisa, que eu largarei tudo que estiver fazendo e irei prontamente ajudá-lo sem pedir nada em troca por isso. São aqueles que eu não preciso falar muito, já sabem como vou agir, pensar e sabem melhor que eu como conviver com isso.

Alguns não vão durar para sempre, os nossos caminhos podem se desencontrar, mas guardarei todos esses comigo. Porque são com eles que eu compartilho cada sentimento que tenho enquanto a vida vai pensando, eles são o próximo do que eu pedi em meus momentos de solidão: felicidade e quando o futuro chegar, serão esses momentos com eles os que eu irei lembrar.

Obrigado a todos que conto meus problemas, que me pedem ajuda, que me perguntam como estou, que me chamam para sair, que eu morro de saudades e que não quero que saiam da minha vida.

FELIZ DIA DO AMIGO!


Foto ilustrativa tirada em 2013 e que nunca mais consegui tirar uma igual...

terça-feira, 28 de março de 2017

Espelho Longitudinal

Aos 18 anos, escrevi o seguinte:

"E o que me deprime é que com apenas 18 anos ja não faço promessas no ano novo, ja não me surpreendo com as pessoas e ja desisti em expectar uma inovação da sociedade. Mas [...] eu traço objetivos para uma vida, e não para o próximo ano; é uma das minhas tentativas de sair da cronologia. Entre eles estão o de escrever um livro, abrir uma ONG para cachorros abandonados, aprender finlandês. Enfim, embora pareço um descrente da vida, ainda não desisti de mim."

Agora com 24
anos, o mundo não mudou muito, mas aprendi a conviver com ele, não de uma forma que traga conforto, mas a dor diminuiu, viver não é um fardo a carregar como eu pensava. Sobre as conquistas, estou acabando minha segunda graduação, o que na verdade, não significa muita coisa porque no meio de tantas áreas que me interessam, ainda não sei qual a melhor opção para segui, e por isso, me encontro extremamente frustado no trabalho no último lugar que pensei que estaria. Eu conheci os meus melhores amigos depois dessa idade,hoje sou sociável, até demais, nunca pensei que detestaria ficar um sábado em casa. Tenho amigos, tenho histórias e aventuras para contar, tenho vontade de comemorar minhas vitórias com eles e me importo com suas vitórias também. Aceito críticas, derrotas, mas ainda não aceito errar, é onde eu me desabo e me torno extremamente frágil, ainda sou vítima do tempo e não posso voltar para corrigir os erros, e existem consequências que me destroem ter que lidar simplesmente porque eu as poderia ter evitado.
Aprendi a lidar com meu jeito, mas ainda não controlo minhas insônias. Emagreci 25 kg, estou muito melhor sim, mas ainda não cheguei onde gostaria. Escuto muita gente dizendo que é bobagem e perda de tempo me preocupar com a forma física e que o importante é ter saúde, mas eles não me conhecem. Não sabem que toda vez que olho para o espelho e vejo aquelas curvas, é relembrar de todos os traumas, bullyings e depressão que sofreu por conta do peso. Eu sei que simplesmente emagrecer a qualquer custo não é a melhor forma de curar isso, mas eu estou gostando de tentar ter essa mudança de hábitos e reconheço as qualidades que uma alimentação saudável me proporciona. Isso mostra que ainda não curei totalmente do meu trauma, e sei que não irei curar 100%, terei que conviver com isso para o resto de minha vida. Depois dos 20 anos, parei de fazer terapia, mas preciso voltar com urgência, mas agora sou adulto e isso está sujeito a aprovação financeira. Ainda defendo o capitalismo e tenho que aceitar as consequências por isso. Além de viver sem dinheiro, ou apenas não conseguir juntá-lo, o desejo de me tornar o escritor tem ficado cada dia mais distante, por sinal, é o que mais lamento nesses primeiros anos de vida adulta; parei de escrever. Escrever era uma forma de tentar me comunicar com o mundo, de tentar me entender, como minha vida social sempre esteve em alta, não priorizei as palavras... Mas se eu estou aqui, é porque de alguma forma ainda necessito dos meus versos. Ainda não situei minha vida, confesso que avancei, mas não realizei a grande mudança que eu me preparei minha vida inteira e que irá me dar total libertação, mas agora mais do que nunca, aposto em mim e sei que não vou durar muito, pelo menos assim. Seja conquistando uma fortuna como recompensa do meu esforço até aqui, ou seja perdendo tudo e tendo que começar do zero. Essa é minha despedida e mais do que nunca, todo desespero para ser feliz será finalmente conquistado.


terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Meu Problema


Hoje eu vou ser aquele que vai acordar amanhã arrependido por ter perdido mais um dia fazendo os mesmos erros. É a minha insônia, minha rotina estragada e estou no direito de pensar que aproveitar mais um dia não me traria benefícios porque eu não saberia nem por onde começar a gastar essas horas. Eu acordei com esse ânimo que só me faz afundar mais os meus problemas e não sou capaz de mudar minha inércia. Tem dias que viver é um porre mesmo, já aceitei. É meu problema.

Vou ser aquele que vai dar uma resposta mal educada, perder um prazo, esquecer aquele simples compromisso, negar um favor que não me custaria nada fazer e vou ter assumir as consequência. Serei aquele que arrancará reações de desgosto, aquele vão falar mal na rodinha de amigos que quando eu aparecer falarão que estavam discutindo um assunto aleatório.

Eu não gostaria que me tratassem assim, eu reconheço, mas falhei nesse dia. E posso falhar amanhã também. Não tenho desculpas e nem justificativas, estou sujeito a isso. Não posso obrigar ninguém a me amar e nem tirar a razão se quiser me odiar. Caso eu melhore no dia seguinte, terei ações opostas, talvez repare alguma coisa, mas as ações não se anulam nas percepções de cada um. São todos livres para ponderar o que quiser no julgamento das relações subjetivas e nada posso fazer, estou inserido nesse sistema.

Posso acordar e fingir um sorriso para todos, disfarçando para o mundo que está tudo bem e desabar quando estiver sozinho. Posso ser um exemplo a ser seguido do que não deve ser feito. Posso demonstrar características que me fazem preocupar com o próximo. Podes achar o que quiser de mim. Pode conviver com isso. Ou não! Tanto faz. Talvez eu me importe em como minhas ações refletem em mim. Se eu me importar, é meu problema, bem como tantos outros que eu vou ter que conviver com isso. Ou não! Tanto faz.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

A Sirene

Ao som de Life for Rent.

Os luzes vermelhas piscavam nos meus olhos. O que eu irei fazer?
A negação acabou e todo teatro já não me engana. Eu sempre soube que perderia o controle quando teria que lidar com o desespero. E eu me desesperei muito fácil, eu precisei me acelerar para fugir dos meus personagens.

Vivendo em um disfarce social que me impedia de me enxergar, eu achava que o retorno da depressão não aconteceria. Mas ela nunca foi embora, ela estava em cada noite sem dormir e em cada manhã sem conseguir acordar. Fugir do isolamento e sublimar outros vícios era apenas um jeito de não sentir, não sofrer com a sua presença.

A sirene tocou. Era o alerta que o espetáculo tinha que acabar, o perigo era outro e esse, eu não aguentava. Então fui forçado a me aguentar, a parar de me evitar e reaprender as vantagens daquilo que eu era. As palavras não me ajudam mais, os textos não se reproduzem mais, mas tenho que tentar. Eu preciso pelo menos aproveitar alguns segundos antes do abate me domar.

Esses luzes piscando mostram o meu reflexo, o meu medo e também o meu sonho. Esse mesmo sonho que ainda existe, mas não sei o que aconteceu com ele. Nem ao menos sei o que aconteceu com essa pessoa. Mas já que voltei a minha versão vulnerável, tenho a opção de seguir esses medos e me lamentar que todos meus personagens não me trouxeram a lugar nenhum, ou os seus sonhos, que para realiza-los só serei capaz se assumir totalmente minha função diante dos olhos de todos.

Eu sei que não vai ser fácil, acho que vou ter que aguentar o sofrimento e até algumas lágrimas, mas cabe a mim decidir se esses sinais vieram para me prender ou para me libertar?

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